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Processo como criatividade - processo como preocupação

12o. Conferência Internacional Whitehead

27 a 30 de Agosto de 2019

Universidade de Brasília
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A Filosofia do Processo defende a ideia que o universo está por fazer. Não há nenhum corpo controlador ou conjunto de leis que possa fazer justiça ao que é concreto. Como diz Whitehead em Modes of Thought, a realidade concreta não pode ser reduzida a um absoluto estéril e tautológico no qual a vida e o movimento não são mais do que sonhos. Como consequência, a criatividade é colocada por Whitehead como categorias do último, atrás de todas as formas, inexplicável pelas formas e condicionada por todas suas criaturas. Criatividade é o que faz o processo distinguível e o que produz cada vez mais complexidade naquilo que já existe. Ligada à satisfação e ao senso de propósito, as capacidades criativas são o que nos permite ver atualidade incrustada em entidades similares a organismos. Além disso, um universo criativo é a marca da presença de deus no sistema de Whitehead: substitua criação por criatividade e deus se torna um elemento num mundo em aventura permanente. Um universo processual é um universo criativo no qual cada entidade, intimamente circunscrita por seus arredores, aumenta o tecido das coisas através de seus próprios esforços.
 

A criatividade, entretanto, muitas vezes é concebida em termos de interesse próprio, a guia de um objetivo e sentido de importância. É associada a uma valorização, a uma orientação e, no fim das contas, a uma agenda. Steven Shaviro recentemente diagnosticou a tensão entre satisfação e preocupação. Pode-se encontrar uma fricção entre preocupação - em particular o tipo de interrupção na agenda de alguém que requer uma resposta apropriada a um outro, independente dessa mesma agenda ou valoração - e o impulso pela criatividade. Com certeza, preocupação com outros provoca movimento e vida uma vez que é necessário respostas de todos os lados e a responsabilidade de cada um é aparentemente infinita - um tópico que autores como Jabès, Levinas e Derrida exploraram. Pode-se de fato considerar o processo como algo dirigido pela preocupação; a resposta do um ao outro produz uma demanda que contrasta com seu interesse próprio. Processo pode ser dirigido por respostas que empurram as entidades para longe de seus próprios propósitos. A preocupação é uma forma de entender a habilidade de se afastar de sua trajetória criativa. Alinhado a como Shaviro constrói sua própria noção, o contraste entre criatividade e preocupação leva ao contraste mais amplo entre ética e estética. É possível construir uma metafísica a partir de agentes estéticos - ou de agências. guiadas por propósitos - da mesma forma que é possível se apoiar em preocupação e responsabilidade. É possível juntar, do ponto de vista da filosofia do processo, esses dois esforços aparentemente divergentes? é possível uma filosofia do processo que lide igualmente bem com as exigências da criatividades e com os requerimentos da preocupação com o outro?
 

A presente conferência abordará essas questões no quadro mais amplo da filosofia de Whitehead e seu impacto. Seguindo a 11a. IWC, cujo foco foi Natureza em Processo, essa conferência encoraja contribuições que lidem com criatividade e preocupação com o planeta - e como as duas coisas se conectam. Em geral, o foco está no contraste entre o interesse próprio exuberante e a isca para responsabilidades. A primeira IWC na América Latina - um continente marcado por empreitadas coloniais desastrosas - busca reverberar a tensão local entre a expansão de um modo de vida e o encobrimento de outros, nas palavras de Enrique Dussel.