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12ª Conferência Internacional Whitehead,
“Processo como Criatividade – Processo como Preocupação"

Programme

Temos o prazer em anunciar que a 12ª Conferência Internacional Whitehead, que terá como tema “Processo como Criatividade – Processo como Preocupação", ocorrerá entre 27 e 30 de agosto de 2019.
A conferência será na Universidade de Brasília.


Convidamos a todos e todas para que compareçam e para submeter seus resumos para apresentações em qualquer das seguintes seções:

As Sessões da Conferência incluem:

1.         Whitehead, especulação e metafísica contemporânea
2.         Whitehead, estética e a filosofia da criatividade
3.         Whitehead e filosofia moderna
4.         Whitehead e a civilização ecológica: ecologia, ética, economia e direito
5.         Whitehead, matemática, lógica e ciências naturais (informática/ cosmologia/física/biologia/química, etc)
6.         Pensamento do processo e feminismo
7.         Whitehead e filosofia continental
8.         Whitehead e filosofias orientais
9.         Animismo ameríndio e pensamento do processo
10.       Filosofia do processo na América Latina
11.       Whitehead e teologia

12.       Whitehead e educação

13.       Whitehead e as filosofias pós-estruturais
14.       Filosofia do processo e o futuro da democracia

15.       Whitehead, psicologia e ciências sociais

16.       Pensamento do processo e filosofia africana

 

As apresentações não devem ultrapassar 30 minutos, incluindo a discussão; seções podem sobrepor-se e os participantes devem especificar em qual seção ou seções eles desejam que seu trabalho seja incluído. A Conferência será em inglês, português e espanhol. Apresentadores de trabalhos em língua portuguesa e espanhola deverão fornecer uma tradução completa de seus textos pelo menos 30 dias antes de suas apresentações. Para o caso de Senior Scholars, poderão ser aceitas mais de uma apresentação. Os resumos devem ser diretamente enviados para cada contato em cada sessão respectiva.

CHAMADA DE TRABALHOS
Para o Young Scholars Award
O Conselho da International Process Network abre a chamada de trabalhos para a Young Scholars Award (até 30 anos de idade). Haverá dois Young Scholars Awards. O prazo para a submissão de trabalhos será até 1º de abril de 2019. Os vencedores serão anunciados no site da IPN. O prêmio inclui passagem aérea e taxa de conferência para a 12ª Conferência Internacional Whitehead no Brasil, bem como a publicação dos trabalhos nos anais da conferência. Os trabalhos devem ser preparados para avaliação anônima (com os dados sobre o autor em uma folha separada) e devem ser submetidos eletronicamente no seguinte e-mail: dzhadiaiev@windowslive.com.

 

Chamada de trabalhos para o evento

Aos interessados em apresentar trabalhos na 12th IWC, favor enviar resumo de até 400 palavras para o email do coordenador da seção que deseja se inscrever até dia 01 de abril, com título e palavras-chave em inglês e português.

 

Contatos Gerais

Organizador Principal: Hilan Bensusan (hilantra@gmail.com)

Assessores Gerais: Otavio Maciel (oe.maciel@gmail.com); Bárbara de Barros (aburbura@gmail.com); Alice Gabriel (alicegabriel@gmail.com)

 

Resumos:


1. Whitehead, especulação e metafísica contemporânea – Hilan Bensusan e Jean-Pierre Caron

Para Whitehead, a filosofia especulativa é o esforço para moldar um sistema coerente, lógico e necessário de ideias gerais em termos dos quais cada elemento de nossa experiência possa ser interpretado” (Process and Reality, p. 3). É um esforço para construir um método complexo que combina insights racionalistas com qualidades aplicáveis. Recentemente, a especulação, em grande medida como concebida e explorada por Whitehead, tornou-se um método central em metafísica e impulsionou o movimento do realismo especulativo em seus vários ramos e desenvolvimentos. A especulação tem sido usada de diferentes maneiras por filósofos tão diferentes como Graham Harman, Steven Shaviro, Quentin Meillassoux, Ray Brassier, Levi Bryant e Luciana Parisi. Portanto, ela está se tornando um elemento crucial no kit de ferramentas de um metafísico contemporâneo. São bem-vindas nesta seção explorações sobre as origens e a história da especulação, assim como usos recentes do método na metafísica contemporânea – mas também suas deficiências, limites e possibilidades.

Tópicos sugeridos: Whitehead e especulação; Whitehead e metafísica do processo contemporânea; Especulação e a solidariedade do universo; Whitehead e realismo especulativo; Whitehead e Harman; Whitehead sob a luz da análise da correlação de Meillassoux; Limites e deficiências da especulação; Whitehead e seus precursores especulativos; Whitehead contra a bifurcação da natureza, Whitehead e a ontologia orientada a objetos.

Contato: Hilan Bensusan – hilantra@gmail.com
 

2. Whitehead, estética e a filosofia da criatividade – Rodrigo Petrônio

Para Whitehead, estética e ontologia estão muito mais próximas uma da outra do que outros filósofos do século XX admitiriam. Em seu livro Modes of Thought (1938), ele afirma que a experiência ordinária de bebês, animais e alguns outros seres estão imersas nos interesses imediatos que dificultam a abstração. Isso acontece por sua falta de habilidade para produzir fatos isolados, que desconecta as coisas de seu ambiente e as coloca em isolamento. Isso é algo que funciona como um mito necessário devido ao fato de que o pensamento finito não pode abarcar completamente a totalidade. Entretanto, há uma essência ontológica, aquela da conectividade intrínseca das coisas, que pode ser mostrada por meio da estética. Para Whitehead, “a penetração da literatura e da arte em seu apogeu surge de nossa perplexidade de termos passado para além da mitologia; nomeadamente, para além do mito do isolamento” (MT, p. 9). A coordenação ambiental que é requisito para a existência de uma entidade atual é mostrada por sua perspectiva, que é “o resultado do sentimento”, graduado em sentidos de interesses, diferenciações e muitos outros tópicos estéticos. A estética pode funcionar como uma espreitada, um método indireto de especulação, na criatividade das coisas. A filosofia indireta é um tema importante para filosofias orientadas a objetos como a de Harman e a de Bryant, o que levou Harman a afirmar que a estética é a filosofia primeira. Além disso, a conexão entre sentimento e ontologia vai até a criatividade, a categoria última de Whitehead. Estética e ontologia podem ser conectadas pela categoria do princípio de novidade da criatividade, que surge da experiência universal difundida na natureza.

 

Tópicos sugeridos: Whitehead, ontologia e estética; Whitehead e literatura; Whitehead e artes plásticas; Whitehead e dramaturgia; filosofia da criatividade e novidade; Whitehead e história da arte.

Contato: Rodrigo Petrônio – rodrigopetronio@gmail.com
 

3. Whitehead e filosofia moderna – Carlos João Correia e Evaldo Sampaio

A conexão heterodoxa de Whitehead à filosofia moderna torna sua narrativa da modernidade algo bem diferente. Para ele, os verdadeiros heróis daquela era são Descartes e Locke, mas por razões inesperadas para alguém acostumado com apresentações tradicionais sobre a modernidade. A Res Verae de Descartes e seu teatro de representações foram um grande avanço, enquanto as teorias inexploradas de Locke a respeito de poderes ontológicos das coisas, e sua noção bastante intrigante de ideia, são, para Whitehead, as maiores conquistas na primeira filosofia moderna. Entretanto, a ruptura de Hume com esse projeto foi grave e desorientadora devido ao seu princípio subjetivista relacionado à percepção. Ao invés de revisar esse princípio, Kant tomou um caminho pior e acabou perpetuando a alienação do sujeito com respeito ao mundo, aos objetos, ao ambiente. Kant voltou a atenção filosófica em direção ao interior do sujeito de um modo terrivelmente pobre que negligenciou a importância da percepção (no uso cartesiano e lockeano anterior) na constituição das coisas. Whitehead volta sua atenção para as respostas a Descartes e Locke que foram fornecidas originariamente por Espinosa e por uma de suas grandes inspirações, Leibniz. São bem-vindas nesta seção contribuições à interpretação de Whitehead da filosofia moderna, seus temas, filósofos e cientistas que ajudaram a dar forma à filosofia do processo.

 

Tópicos sugeridos: Descartes, Res Verae, as substâncias e o cogito; Locke sobre ideias, essências reais e poderes; Leibniz e o conceito de monadologia; O Deus de Leibniz e o Deus de Whitehead; A concepção de afeto de Espinosa; Berkeley sobre a percepção; O princípio subjetivista de Hume; Kant sobre intuições e conceitos; Newton e o contínuo extensivo.

Contato: Evaldo Sampaio – evaldosampaio@unb.br
 

4. Whitehead e Civilização Ecológica: Ecologia, Ética, Economia e Direito – Herman Greene e Kurian Kachappilly

Civilização Ecológica é uma expressão usada por uma série de pensadores do processo que denota uma visão de mundo na qual reconhecemos o valor de todas as entidades; de fato, é uma visão de mundo na qual humanos mostram preocupação com outras entidades, sejam humanas ou não humanas. Formar tal civilização ecológica requer repensar o fundamento filosófico das sociedades e como elas se organizam e funcionam. Imaginar e criar um padrão para uma civilização ecológica envolve tanto preocupação como criatividade - preocupação com todas as formas de vida e criatividade nas formas através das quais moldamos sociedades. A presente seção está interessada em examinar como os dois temas - preocupação/interesse e criatividade - contribuem para os entendimentos whiteheadianos de ecologia, ética, economia e direito como eles aparecem em uma civilização ecológica emergente.

 

Tópicos sugeridos: como uma filosofia do processo:

  • Informa ecologia, ciências da terra como sistema e evolução?

  • Informa as éticas e humanidades ambientais?

  • Fornece uma base para reformar economia e direito?

  • Ajudam na compreensão e construção de uma mudança civilizacional?

Como a noção de civilização ecológica facilita o ensino de filosofia do processo?

Como a civilização ecológica pode fornecer um contexto para o desenvolvimento de filosofias do processo?

Contato: Herman Greene – hfgreenenc@gmail.com
 

5. Whitehead, matemática, lógica e ciências naturais (informática/ cosmologia/física/biologia/química, etc) – Vesselin Petrov e Tatiana Roque

É amplamente aceito que o primeiro período do desenvolvimento intelectual de Alfred North Whitehead está intimamente conectado com seu interesse em matemática e lógica durante seus anos em Cambridge. É verdade também que seu próximo período, conectado com a filosofia da ciência, e finalmente seu período maduro metafísico é definitivamente influenciado por os dois primeiros períodos de seu desenvolvimento intelectual. Assim, para entender corretamente as ideias filosóficas de Whitehead, é necessário ter um bom entendimento de seus dois primeiros períodos. Por outro lado, várias descobertas de Whitehead em matemática, lógica e ciências da natureza são importantes até mesmo em nossos dias e têm não apenas um significado histórico, mas são frutíferas para algumas áreas atuais. O objetivo desta seção é discutir os aspectos mencionados acima dos trabalhos de Whitehead e sua influência nas ciências naturais e na filosofia contemporâneas à luz do entendimento do processo como criatividade e como interesse, e também com as novas abordagens à ciência e à metafísica.

 

Tópicos sugeridos: Descobertas de Whitehead em matemática pura e sua influência em desenvolvimentos posteriores na matemática; Whitehead e Russell: o período de cooperação e o posterior desentendimento; A teoria whiteheadiana da extensão: transformação de ideias matemáticas em ideias metafísicas; os últimos escritos de Whitehead: uma conexão entre a matemática moderna e metafísica; a conexão entre matemática e lógica e outras ideias não whiteheadianas de processo; investigações de Whitehead em matemática aplicada e física matemática; Whitehead e Einstein: uma comparação de suas teorias da relatividade; As investigações de Whitehead em ciências da vida: a relevância de suas investigações no desenvolvimento da biologia; A compreensão de Whitehead sobre evolução: o papel da criatividade; a influência das ideias de Whitehead sobre criatividade no desenvolvimento de outras ciências naturais.

Contato: Vesselin Petrov – petrov.vesselin@gmail.com
 

6. Feminismos e pensamento do processo – Alice de Barros Gabriel and Gigliola Mendes

"Não se nasce mulher, torna-se mulher” a famosa frase de Simone de Beauvoir, muitas vezes aparece como referência para a filosofia feminista. Em tal frase, o processo de vir a ser é anterior a qualquer essência que pudesse ser evocada. Desde o Segundo Sexo, diferentes feministas têm flertado com uma ontologia de eventos ou com a ideia de que as coisas estão sempre por fazer. A própria ideia de gênero como verbo (como posta por Judith Butler) pode ser lida como algo próximo ao pensamento do processo. O mesmo poderia ser dito da reinvenção ecofeminista da natureza empreendida por Donna Haraway. Luce Irigaray, Mary Daly, Rosi Braidotti, Elisabeth Grosz, para nomear algumas outras autoras, também estão comprometidas a pensar corpos e mundos no processo de vir a ser. Uma vez que feminismo é um assunto emergente na América Latina, seja política ou filosoficamente, a presente sessão temática se debruçará sobre relações entre os feminismos e o pensamento do processo.

 

Tópicos sugeridos: ecofeminismos, ecologias queer e filosofia do processo, feminismo, processo e ontologia, processo, criatividade e teoria feminista, processo como preocupação e ética feminista, epistemologias feministas e filosofia do processo, transfeminismo e filosofia do processo.

Contato: Alice Gabriel - alicegabriel@gmail.com
 

7. Whitehead e filosofia continental – Helmut Maassen e Denys Zhadiaiev

Por muito tempo, pensou-se na filosofia de Whitehead como um elefante branco. Para muitos acadêmicos, não era evidente a qual tradição filosófica ou científica seu pensamento se relacionava. Evidentemente, existem razões para esse tipo de recepção e rejeição. E isso estava aparente desde o início da magnum opus de Whitehead.

Assim como aconteceu com Sir Arthur Eddington, que atraiu uma grande audiência para suas Gifford Lectures em Edinburgh em 1926/1927, Whitehead recebeu uma boa resposta inicial à sua primeira Gifford Lecture em 1927. Entretanto, após algumas palestras, sua audiência diminuiu para poucos ouvintes.

Para evitar o 'principal perigo para a filosofia', que segundo Whitehead é 'estreiteza na seleção de evidências (PR 337) é necessário relacionar o pensamento do autor a filosofia européia e sua história.

Um dos principais tópicos em Adventures of Ideas é a imanência (AI 168ff), imanência das ocasiões atuais passadas e presentes, dos desenvolvimentos passados e presente, ou seja, cosmologias. De fato, nós poderíamos sugerir uma mudança de título, em vez de Aventuras das Ideias, Aventuras da Imanência, por que Whitehead afirma a interdependência entre as leis da natureza, os desenvolvimentos sociais e cosmologias. Para entender a insistência de Whitehead na imanência do passado e do presente e para evitar a estreiteza na seleção de evidências, convidamos artigos relacionados a tradição filosófica desde Platão, Aristóteles, Leibniz, Spinoza, Kant, Hegel ou Schelling até Bergson e Deleuze

Contato: Helmut Maassen – helmutmaassen22@gmail.com
 

8. Whitehead e filosofias orientais – Zhihe Wang, Dr. Meijun e Yutaka Tanaka

A concepção orientada ao processo e orgânica de vida formulada por Whitehead se sobrepõe a numerosas filosofias do Sul e do Leste da Ásia: Budismo, Confucianismo, Daoismo, Hinduismo e Jainismo. Sua filosofia pode ser enriquecida por essas filosofias e até contribuir para elas. Um dos objetivos dessa seção é explorar áreas de sobreposição e diferenças entre Whitehead e os caminhos, pensamentos e filosofias orientais. Outro é explorar a possibilidade de que, com ajuda de modos de pensar whiteheadianos, uma filosofia verdadeiramente global e que partilhe perspectivas ocidentais e orientais de vida, possa emergir e contribuir para as necessidades dolorosas do mundo - civilizações ecológicas que sejam benéficas para humanos, não-humanos e para a Terra.

 

Tópicos sugeridos: Carma e Criatividade; Whitehead e Yoga Integral; Whitehead e Vedanta; Whitehead e reencarnação; Whitehead e Jainismo; Whitehead e Ahimsa (não-violência); Whitehead e Confucianismo; Whitehead e Daoismo; Whitehead e Budismo; Divindade no Oriente e no Ocidente; Civilização ecológica no Ocidente e no Oriente; Filosofia do Processo e o Livro das Mudanças (I Ching); Ideia de civilização de Whitehead e o Junzi Confuciano; Solidariedade do cosmos e a Pratyitya-samutpada (Co-emergencia) budista; Filosofia do Processo, centros de experiência e Anekantavada.

Contato: Zhihe Wang – claremontwang2011@qq.com
 

9. Animismo ameríndio e pensamento do processo – Szofia Frei, Hilan Bensusan

Whitehead encampou uma crítica e um afastamento consistente daquilo que diagnosticou como bifurcação da natureza em experiência e o que é experienciado. Pensamento do processo rejeita a ideia de que a natureza é um reino de estruturas fixas que representa o que é concreto. O trabalho recente de antropólogos como Eduardo Viveiros de Castro, Philippe Descola, Tania Stolze Lima e Roy Wagner mostraram como animismo e perspectivismo do tipo praticado na baixa Amazônia apresentam uma noção de natureza que não dá espaço para bifurcação. Sua formulação filosófica de animismo e perspectivismo foi fortemente influenciada por filósofos como Leibniz, Whitehead e Deleuze. Além disso, são amplamente baseadas nas observações de Lévi-Strauss de que a baixa Amazônia não apenas possui um sistema  filosófico, mas um que contrasta de maneira interessante com o que Descola chama de naturalismo (e Bruno Latour prefere associar com a constituição moderna). Roy Wagner, parafraseando o popular verso de Marianne Moore, escreveu: "antropologia é filosofia com pessoas dentro". Viveiros de Castro insistiu que perspectivismo é um método e como uma ontologia é filosofia ameríndia e uma ferramenta para descolonizar o pensamento. Suas ideias, amplamente influenciadas por Lévi-Strauss e pelos pós-estruturalistas, estão em débito com a filosofia do processo e com a ideia de que a percepção é constitutiva do concreto - da mesma forma em que estão em diálogo com as correntes especulativas, mais recentes. O trabalho atual em antropologia se vê em um contínuo com as empreitadas filosóficas (Latour fala de ontografias, Kohn fala da antropologia como uma forma de fazer ontologia depois da virada não-humana, Descola fala de disposições ontológicas em direção ao não humano que incluem naturalismo e animismo, mas também analogismo e totemismo). Essa seção busca fazer uma ponte entre a antropologia pós-naturalista e pós humana e a filosofia do processo.

Há mais no pensamento do processo ameríndio do que o animismo e perspectivismo da baixa Amazônia . Em áreas altas de continente sul americano existem relações interessantes a entidades como Pachamama que recentemente recebeu direitos constitucionais em países como Equador e Bolívia. Além disso, há muito a ser explorado sobre as crenças de povos nativos na América do Norte.

 

Tópicos Sugeridos: xamanismo, animismo e naturalismo, Whitehead e antropologia, Whitehead e decolonização do pensamento, antropologia levi-straussiana como chamariz de sentimentos, criticas do naturalismo, direitos dos não-humanos, Latour e Whitehead, a noção de agência não-humana

Contato: Zsofia Frei arikzsofi@yahoo.com
 

10. Filosofia do processo na América Latina – Evandro Vieira Ouriques e Lilia Marianno

Whitehead é um filósofo não tão bem conhecido por pesquisadores latino-americanos fora da matemática, física e filosofia. Desde 2013, um esforço para unir pesquisadores de Whitehead e pesquisadores na América Latina tem sido feito, e encontramos pouca produção acadêmica mencionando ou investigando especificamente o pensamento de Whitehead. Porém, procurando mais, pudemos encontrar muitos pesquisadores brasileiros e latino-americanos usando pensamentos de Whitehead em suas investigações. Para mencionar algumas áreas, encontramos artigos, teses, dissertações produzidas por pesquisadores latino-americanos em: Ciências da Religião, História das Ciências, Teologia, História, Sociologia, Teoria Social, etc. Nesta seção, gostaríamos de privilegiar abordagens transdisciplinares no uso do Pensamento do Processo.

 

Tópicos sugeridos: Pensamento do processo e Ernesto Cardenal; Whitehead e pensamento latino-americano contemporâneo; Whitehead e filósofos brasileiros; Especulação e descolonização; Leituras de Whitehead e Deleuze na América Latina; usos atuais das ideias de Whitehead nas ciências sociais, Whitehead e Filosofia Latinx.

Contato: Lilia Marianno – lilia.marianno@gmail.com
 

11. Whitehead e teologia – Derek Malone

Uma teologia genuinamente whiteheadiana (ou neo-whiteheadiana) não pode meramente ser uma teologia que toma emprestado elementos do esquema metafísico e ontológico de Whitehead, para atualizar alguma agenda teológica tradicional. Uma tal teologia deve também incorporar a posição crítico-analítica em aberto e irrestrita ideologicamente em direção a conceitos herdados e padrões de pensamento, e a vontade de confrontar toda evidência vindoura por todas esferas relevantes de investigação e atividade humanas, que definiu a abordagem de Whitehead a questões de interesse teológico. Whitehead via o projeto em andamento da razão humana em termos da harmonização de crença e comprometimento pelos diversos registros de pensamento e atividade humanos – incluindo a harmonização de nossas crenças e comprometimentos, religiosos e científicos. Teólogos contemporâneos que afirmam estar associados a Whitehead tendem a se pensar como amigos das ciências, apoiando-se grandemente no fato de que hoje há, entre ‘teólogos do processo’, um foco compartilhado, global, em questões ambientais e climáticas. Mas há outros desenvolvimentos científicos contemporâneos com que os teólogos do processo não se comprometeram tão ampla ou substantivamente, e que podem apresentar desafios reais para muitas perspectivas teológicas que continuam a se orientar em torno de entendimentos ou agendas religiosas tradicionais, mesmo enquanto eles revisam conceitos tradicionais em uma direção whiteheadiana. Em campos científicos de vanguarda como astrobiologia, aprendizado de máquina, química prebiótica, e origens humanas, entre outros, atualmente estão em andamento desenvolvimentos que prometem abalar radicalmente concepções humanas de si mesmo e transformar as condições de nossa existência futura.

 

Tópicos sugeridos: Antropomorfismo e orientações antropocêntricas na teologia whiteheadiana, com que a criatividade teológica real pode parecer, e como deveríamos enquadrar e priorizar nossos interesses teológicos, se pensamos em termos de respostas bem-sucedidas às ainda mais radicais rupturas das condições intelectuais, culturais e materiais humanas que provavelmente experimentaremos nas próximas várias décadas e séculos?

Contato: Derek Malone – dmf@gwu.edu

 

12. Whitehead e Educação - Franz Riffert, University of Salzburg

A presente seção sobre Whitehead e Educação explorará a vanguarda da filosofia da educação, ciência, metodologia da educação e pedagogia em relação às perspectivas whiteheadianas.   Desde a educação infantil até a educação superior, das boas práticas em educação aos ciclos de aprendizado, o objetivo dessa seção é avançar na discussão sobre pensamento do processo e educação.

Contato: Franz Riffert - franz.Riffert@sbg.ac.at
 

13. Whitehead e filosofias pós-estruturais – Fernando Silva e Silva e Vinícius Portela

A orientação de Whitehead em direção à novidade e ao concreto tem influenciado diversos filósofos da segunda metade do século XX, primariamente através de Henri Bergson e Jeah Wahl. Bergson compartilhava várias doutrinas com Whitehead, enquanto Wahl introduziu a filosofia do processo na França. Vários filósofos têm mostrado convergências com a filosofia do processo e com a orientação geral em direção ao concreto na experiência. Dos modos de existência de Étienne Souriau, da filosofia da pré-individuação de Gilbert Simondon, da filosofia da natureza tardia na fenomenologia de Merleau-Ponty até as redes de Latour ou até a desconstrução de Derrida, a influência de Whitehead na filosofia pós-estruturais chega a vastos alcances. Mesmo entre pensadores da novidade e do excesso, como Blanchot e Bataille, Whitehead se faz presente. Gilles Deleuze (e Félix Guattari) desenvolveram uma metafísica do processo que foi fortemente influenciada pelas doutrinas principais de Whitehead – de quem eles ganharam a inspiração para seu empirismo transcendental, devido ao seu foco na imanência e na criatividade e por sua noção de devir. Esta seção receberá todas as contribuições para explorar as ricas influências da filosofia do processo em todos os tipos de filosofias pós-estruturais.

Tópicos sugeridos: Whitehead e empirismo transcendental; Whitehead, Deleuze e Guattari; Whitehead e Simondon; Whitehead e Bergson; Whitehead e Bataille; Whitehead e desconstrução; Whitehead e Souriau; Whitehead e Jean Wahl; Whitehead e Blanchot; Whitehead e Bataille.

Contato: Fernando Silva e Silva - fernandosesilva@gmail.com

 

14. Filosofia do Processo e o Futuro da Democracia – Rodrigo Nunes

A filosofia do processo, tal como desenvolvida a partir das obras de Alfred N. Whitehead é uma matriz de renovações para a teoria política. Sua nova abordagem da ordem social, da solidariedade cósmica, dos aspectos de seu trabalho que o aproxima da ontologia plana têm várias interessantes aplicações para entendermos poder, democracia e políticas ecológicas. Autores como Eduardo Viveiros de Castro, Bruno Latour e Isabelle Stengers têm aplicado a cosmologia de Whitehead para redefini (ou até mesmo suspender) fronteiras entre o natural e o cultural, o que trouxe a lume os problemas ecológicos que devemos urgentemente resolver em nossa era. A despeito disso, as posições políticas de Whitehead, apesar de jamais demasiado explícitas, podem o colocar próximo de tradições do Novo Liberalismo/Social Liberalismo, com origens no idealista britânico Thomas Hill Green, que também lhe serviu de forte influência nos trabalhos metafísicos de Whitehead. Rejeitando a força bruta das imposições e valorizando a persuasão, a proximidade de Whitehead com esta corrente do liberalismo é inegável. Da política ecológica até o social liberalismo, a filosofia do processo tem muito a dizer e a apresentar para o mundo para que encontremos soluções para o futuro da democracia.

 

Tópicos Sugeridos: Filosofia do processo e teoria política; implicações políticas do conceito de sociedade em Whitehead; filosofia do processo e democracia; filosofia do processo e liberalismo; Whitehead e a filosofia política de T. H. Green; Whitehead e o novo liberalismo/social-liberalismo; Filosofia do processo e política ecológica.

Contato- Rodrigo Nunes - rgnunes@yahoo.com
 

15. Whitehead, psicologia e ciências sociais - Ignacio Castuera

A filosofia do processo elaborada por A. N. Whitehead fornece rico conteúdo para o desenvolvimento de áreas como a Psicologia e a Teoria Social. Notáveis trabalhos nestas áreas foram realizados por filósofos como Michel Weber, Michael Halewood, Bruno Latour, dentre outros. Recentemente, Jon Mills destacou a importância da abordagem ontológica feita por Whitehead à noção de experiência inconsciente, observando semelhanças com o pensamento de Freud, contribuindo expressamente para o desenvolvimento de estudos em filosofia da psicologia e teoria da psicanálise. Noções que vão desde a natureza concebida como constitutivamente envolvendo preensões, atividades inconscientes e conscientes, nexus e solidariedade entre entidades atuais, processos psíquicos que manifestam complexidade, novidade e criatividade, dentre tantas outras contidas nas obras de Whitehead, têm inspirado alguns filósofos nas investigações e especulações acerca dos processos psíquicos e sociais. Em Whitehead, poderíamos afirmar a construção de uma espécie de monadologia das entidades atuais, que representaria a efetivação das potencialidades de que seria feito o mundo através dos múltiplos atos de preender inerentes a tais agentes. Permeando um contínuo exercício imprevisível e envolto nas decisões inerentes à cada uma destas entidades, isto é, do processo de concrescência de que elas seriam parte na constituição do real, pode-se inferir a afirmação da existência de sociedades, que se elaboram e reformulam em termos do devir, isto é, dos processos contínuos que as mônadas de Whitehead produzem e que as atravessam. Isso aproxima Whitehead de pensadores como Gabriel Tarde, Bruno Latour, Isabelle Stengers e até mesmo Niklas Luhmann. Esta seção tem como propósito discutir as influências de Whitehead sobre as áreas da psicologia e teoria social contemporâneas. Por meio de tais discussões, pretende fornecer subsídios teóricos para o avanço desses campos de pesquisa.

 

Tópicos sugeridos: Pampsiquismo e polipsiquismo; agências e interações no Antropoceno; inconsciente e ontologia; perspectivas de novas abordagens clínicas em psicologia do processo e áreas afins; subjetividade e alteridade nas relações sociais; filosofia do processo e crítica dialética da sociedade; ecologia e manifestações psíquicas; Whitehead e o problema mente-corpo; consciência em Whitehead; Whitehead e psicanálise; Whitehead e psicologia social; Whitehead e sociologia; Whitehead e teorias sociais monadológicas; Whitehead e teoria do ator-rede; Whitehead e teoria dos sistemas sociais; Whitehead e a cosmopolítica.

Contato: Ignacio Castuera – agne23@aol.com

 

16. Pensamento do processo e filosofia africana – Wanderson Flor e Renato Nogueira

A problemática do processo no contexto da filosofia africana tem um largo histórico. Desde a ontologia bantu descrita pelo padre belga Placide Tempels, até as investigações atuais de ontologias vinculadas com a perspectiva ubuntu, as imagens de realidade que emergem de uma abordagem do real como expressão de uma estrutura móvel e viva - ou ainda uma força -, têm atravessado diversas posições no pensamento filosófico do continente africano e sua diáspora. As relações entre ontologias relacionais e ontologias do processo têm atravessado não apenas o campo da discussão metafísica, mas também a epistemologia, a política, a estética e as preocupações ambientais no tocante ao pensamento africano. Esta seção receberá abordagens das interfaces do pensamento africano, dialogando ou não com abordagens de outras regiões do mundo, que privilegiem as dimensões do processo no que ele impacta ou se identifica com as diversas expressões da preocupação no mundo contemporâneo e na história da filosofia africana.

 

Tópicos sugeridos: ontologias relacionais africanas e pensamento do processo; ubuntu e pensamento do processo; metafísicas africanas e projeções ambientais; epistemologias africanas e o real como processo; história do pensamento africano do processo; ancestralidade como pensamento do processo; afroperspectivismo e pensamento do processo.

Contato: Wanderson Flor – wandersonn@gmail.com